O Winchester Model 1894, também conhecido como Winchester 94 ou apenas Model 94, é um rifle de repetição por ação de alavanca projetado por John Browning em 1894, tornou-se um dos mais famosos e populares rifles de caça de todos os tempos.
O Winchester Model 1894, foi originalmente lançado para os calibres: .32-40 e .38-55, mas também foi o primeiro rifle a suportar cartuchos de pólvora sem fumaça, o .30-30 em 1895. Em 1901, a Winchester criou o calibre .32 WS, com a produção de rifles para ele tendo iniciando em 1902.
O Model 1894, foi produzido pela Winchester Repeating Arms Company até 1980, quando passou a ser produzido pela U.S. Repeating Arms sob a marca Winchester até que eles suspenderam a produção de rifles em 2006. O Model 1894 foi referenciado como o "projeto definitivo por ação de alavanca" por historiadores de armas de fogo como R.L. Wilson e Hal Herring. O Model 1894 é o rifle que fez da marca "Winchester", uma associação direta para se referir a todos os rifles desse tipo, e foi o primeiro rifle esportivo comercial a vender mais de 7.000.000 de unidades.[1]
O Winchester Model 1894 foi o primeiro rifle de repetição comercial americano construído para ser usado com pólvora sem fumaça. O 1894 foi originalmente lançado com duas diferentes variantes de câmaras para disparar 2 cartuchos metálicos de pólvora negra, o .32-40 Winchester e o .38-55 Winchester. Em 1895, a Winchester passou a usar para uma composição de aço diferente para a fabricação de rifles que podia lidar com cartuchos de pressão mais alta e ofereceu o rifle em .25-35 Winchester e .30-30 Winchester. O .30-30 Winchester (ou .30 WCF de "Winchester Centerfire"), é o cartucho que se tornou sinônimo doModel 94.[2] A partir de 1899, o Model 94 passou a suportar também o cartucho .32 Winchester Special.
A combinação de grande poder de fogo do Model 94 em um pacote compacto, leve, confortável de carregar e de tiro rápido o tornou um rifle de caça extremamente popular, especialmente para cervos de cauda branca nas densas florestas do Leste dos Estados Unidos, onde a maioria dos animais é morta a distâncias relativamente curtas. Como resultado, foi o primeiro rifle esportivo a vender mais de 7.000.000 de unidades. O milionésimo Model 94 foi dado ao presidente Calvin Coolidge em 1927, o rifle de numeração 1.500.000 ao presidente Harry S. Truman em 8 de maio de 1948 e a unidade dois milhões foi dada ao presidente Dwight D. Eisenhower em 1953.[3]
O governo dos Estados Unidos comprou 1.800 unidades comerciais do Model 94 com 50.000 cartuchos .30-30 durante a Primeira Guerra Mundial. Esses rifles na faixa de números de série de 835800 a 852500 foram marcados no topo do anel receptor com a figura de uma bomba em chamas e "U.S." Os rifles destinavam-se ao pessoal do "United States Army Signal Corps" estacionado no Noroeste do Pacífico para evitar que as greves trabalhistas interrompessem a fabricação de madeira de Sitka Spruce para emoldurar a fuselagem e as asas de aeronaves militares.[4] Os rifles foram vendidos como excedente militar após a guerra.[5] Para liberar os rifles Lee–Enfield para uso da infantaria, a Marinha Real comprou aproximadamente 5.000 rifles Model 94 calibre .30-30 em 1914 para serviço de guarda a bordo e detonação de minas. A França comprou 15.100 carabinas Model 94 equipadas com um zarelho no lado esquerdo da coronha para fixar a bandoleira, e com gradações métricas na mira traseira modelo "No. 44A". Essas carabinas francesas foram fornecidas para estafetas motociclistas, tropas de artilharia, pessoal ferroviário de trincheiras e algumas unidades de balão. Alguns desses rifles adquiriram marcas de prova de teste belgas quando vendidos como excedente através da Bélgica.[6] Os exemplares do Reino Unido, capturados pela Wehrmacht foram designados como "Gewehr 248 (e)".[7]
O Model 94 foi usado novamente na Segunda Guerra Mundial nas mãos dos Rangers canadenses da costa do Pacífico, que os utilizaram para defender a costa oeste do Canadá dos invasores japoneses. O Model 94 ao longo de sua longa história incluiu o "Winchester Model 55", produzido de 1924 a 1932 com cano de 24 polegadas (610 mm), e o "Winchester Model 64", produzido de 1933 a 1957 em comprimentos de cano de 20, 24 e 26 polegadas (660 mm).[8] De 1964 a 1980, uma versão da carabina Model 94 também foi vendida pela Sears como "Ted Williams Model 100", como parte do acordo de marketing da Sears com a Winchester e o astro do beisebol aposentado.
Em meados de 1964, a fabricação do Model 94 foi alterada para tornar a produção da arma de fogo mais barata. Geralmente chamados de modelos "pré-64", as versões anteriores possuem um preço premium em relação aos rifles "pós-64".[9] O número limitado de modelos da produção inicial de 1964 produzidos antes da mudança são considerados bastante desejáveis, já que são considerados por muitos como representando o fim de uma era.[1]
O design do Model 94 permitia a "ciclagem" de cartuchos mais longos do que as carabinas Winchester Model 1892 permitiam. Quando a alavanca é puxada para baixo, ela traz a parte inferior do receptor com ela, abrindo mais espaço e permitindo que um cartucho mais longo seja alimentado sem necessidade de alongar o receptor. O mecanismo é complexo, mas muito confiável. A desmontagem completa do mecanismo de ação é uma tarefa de vários estágios que deve ser realizada em uma sequência precisa. No entanto, raramente é necessário desmontar completamente o mecanismo de ação. O maior cartucho que a ação do Model 94 pode acomodar é o .450 Marlin, que foi utilizado em alguns rifles personalizados e na "Timber Carbine" de curta duração que usava um receptor "big bore" do Model 94 reforçado.[10]
Décadas após a extinção do Winchester 1892, os Winchester Model 1894 foram fabricados em calibres típicos de revólver, como .38 Special/.357 Magnum, .44 Special/.44 Magnum, .45 Colt, .38-40 Winchester e .44-40 Winchester. Normalmente, o carregador tubular é capaz de conter de 9 a 13 cartuchos desses calibres de revólver. A capacidade do carregador depende do comprimento do cano, já que o carregador tubular sob ele normalmente cobre todo o seu comprimento.[11]
Calibres de revólver são preferidos pelos modernos praticantes do Cowboy Action Shooting, pois permitem um tipo de munição para rifle e revólver. Uma combinação típica seria um Colt 1873 (Colt Peacemaker ou clone) e um Winchester 1894 capaz de disparar o mesmo tipo de munição. A ação do 1894, projetada para cartuchos de rifle de pólvora sem fumaça, é muito mais forte do que a ação dos Winchesters (Modelos 1866, 1873, 1876) que foram baseados no sistema de articulação de alavanca de Benjamin Henry e podem facilmente lidar com cartuchos de revólver modernos de alta pressão, como o .44 Magnum.
De 1984 a 1997, a carabina de ejeção angular Modelo 94 de 20" de cano e o rifle XTR de 24" foram oferecidos para o cartucho 7-30 Waters (um estojo .30-30 melhorado com "pescoço" redutor para uma bala de 7 mm).[12] Em 2003, o rifle foi oferecido na versão escopeta no calibre .410 e denominado "Winchester Model 9410".[13]
Em 1983, o Winchester 1894 detém o recorde de rifle de alta potência mais vendido na história dos Estados Unidos.[14]
A produção nos EUA foi interrompida em 2006. Na época, havia 14 versões do Model 94 no catálogo Winchester. Em 2010, a Winchester Repeating Arms reintroduziu o Model 94 em duas versões de edição limitada para comemorar o 200º aniversário do nascimento de Oliver F. Winchester em Boston, Massachusetts na região da Nova Inglaterra em 1810.[15]
Três grandes mudanças foram feitas no projeto e construção do Winchester 1894 desde a Segunda Guerra Mundial, todas ligadas a grandes mudanças na liderança e direção corporativa da Winchester. A primeira e maior veio em 1964,[9] após a renúncia em 1963 do entusiasta por armas de fogo John M. Olin da presidência da empresa que ele fundou, a Olin Corporation. A segunda veio em 1982,[16] após a venda da fábrica da Winchester pela Olin em 1981 para seus funcionários, que formaram a U.S. Repeating Arms Company (USRAC). A terceira em 1992,[17] após a falência da USRAC em 1989 e sua subsequente compra pela FN Herstal, que pretendia comercializar armas Winchester em todo o mundo.